“Tudo aquilo que não enfrentamos em vida, acaba se tornando nosso destino” Carl Jung
Quando olhamos para o mundo, podemos ver com nossos olhos a partir de uma consciência daquele momento, mas também com a alma através da subconsciência onde moram em profundidades ocultas nossos medos, traumas, e sentimentos que as vezes não percebemos de onde eles podem ter vindo.
Existe a opção de fingir que eles não existem caminhando através da vida, camuflando as emoções e se desviando do que incomoda. No entanto, sem perceber, através de uma intuição “cega” a alma tende a caminhar para a direção daquilo que precisa reconhecer para conseguir evoluir.
Um exemplo, Luana é uma mulher de 35 anos. Não conseguia ter uma relação saudável, estava sempre se vendo atraída por homens que não lhe respeitavam ou que precisava para suprir uma dependência emocional ao invés de ama-los. A vida bateu em sua porta com mais força. Estava em uma festa e um rapaz colocou uma alucinógeno em sua bebida e ela acabou sendo violentada por ele. Depois do acontecido, Luana se fechou completamente e se determinou a mergulhar profundamente no que acontecia com ela, com a raiz de suas questões. Até que viu lá no interior do problema, uma memória exprimida que precisava ser liberada e trazida pela consciência. O abuso de seu pai. Quando ela começou a aceitar o que havia passado, se libertou de uma emaranhamento de trauma que se instalou. Aos poucos foi curando essa raiz, que lhe guiava para mais situações de dor e abuso.
A viajem “marítima noturna” é a viajem a partes de nós mesmos que estão divididas, repudiadas, desconhecidas, indesejadas, banidas e exiladas nos vários mundos subterrâneos da consciência. A finalidade dessa viagem é nos reencontrarmos com nós mesmos. Essa volta para casa pode ser surpreendentemente dolorosa, até brutal. Para realizar, temos de primeiro concordar em nada exilar” Stephen Cope do livro ” O Corpo Guarda Marcas”
Tudo que se rejeita, volta com mais força. Por isso a alma pede para sermos nós mesmos, porque se criamos um personagem e queremos agradar aos pais, ou a sociedade, descartamos muitas coisas que achamos que “não se encaixa”. Essas partes que rejeitamos ficam rondando como assombrações pedindo para serem reconhecidas.
No trauma, existe a raiz onde mora a dor trancada as vezes em 4 chaves. No entanto, nela reside a resistência de mudança. Nela reside toda a estrutura criada para se proteger, que precisa ser destruída para poder-se fluir. Essa estrutura serviu por um tempo, mas precisa ser reconhecida e e ressignificada.
Aos poucos integrando essas partes que doem, que rejeitamos, integrando o trauma, e dando um espaço para ele existir no interior, é a maneira mais saudável de transforma-lo. Se evitar o trauma, ele cresce e avança o sinal verde. Interrompe-se todo o fluxo de vida, amor e conexão com o corpo. Por isso o caminho para a libertação é para onde dói e não ao contrário. Por mais reconhecimento do corpo, das feridas e necessidades da alma. Por mais amor com a humanidade que existe em nós e menos distanciamento das emoções.
